terça-feira, 18 de agosto de 2009

Por onde anda o processo democrático?

Nepotismo
Caros (as) colegas, saudações acadêmicas;
No final do semestre 2009.1, professores, discentes e funcionários do Centro de Ciências Humanas da Universidade Estadual Vale do Acaraú foram tomados de assalto mais uma vez, com o anúncio nos corredores dessa instituição, da mudança de direção, desse Centro. De assalto porque para a saída do ex-diretor e entrada da nova diretora não passamos por nenhum tipo de debate, de anúncio ou prenúncio do acontecido, como de costume. No entanto, com um agravante, o cargo ficou em família: o esposo professor saiu e cedeu lugar a esposa professora!
O despotismo é explicito! Temos um cargo herdado como herança passando de pai para mãe! Neste caso, como seria colocado nas monarquias totalitárias orientais antigas, onde o nepotismo era regra e não exceção, pois nem existia o conceito de democracia, inventado pelos gregos séculos depois?!
Novidade nos departamentos dessa instituição? Não!

É sabido também que o ex-reitor depois de passar quase duas décadas no cargo, deixou como herança o cargo de vice-reitora para uma parenta próxima, (o que justificaria esta sair de uma lista tríplice de terceiro lugar para primeiro), e ainda estima-se que será a próxima reitora! E no ritmo que vai, a exemplo de reitorados anteriores incluindo o atual Reitor, por vias parecidas, porque a votação em CEPE e CONSUNI nem de longe representa o desejo da comunidade acadêmica!
Quem responde a esses flagrantes de falta de ética e democracia? O que há por trás dessas indicações surdas e mudas?!
Senhores e senhoras é preciso que entendamos a gravidade desses acontecimentos e que como isto se reflete em nosso cotidiano acadêmico e sem que nos demos conta! Além da falta de transparência de propósitos e projetos, essas ações comprometem as relações institucionais visto que não podemos deixar de questionar o compromisso político acadêmico desses empossados?
No caso da diretora recém nomeada do CCH, se tal interesse existia, então por que não dividi-lo com a comunidade acadêmica?! Por que não assumir seu interesse e submete-lo aos colegiados dos cursos do Centro, alunos, funcionários? Por temer que outro professor pleiteasse também o cargo? E nesse caso, não teria ela um projeto de direção que pudesse concorrer e ser vencedor?!
Outra questão que não podemos deixar de colocar é: O que é mesmo cargo de confiança?! Que invenção é esta que desvirtua o sentido de democracia por substituir o direito da maioria de opinar sobre seu destino?! Como um profissional passa a ser de confiança em detrimento de outro ou de outra da mesma categoria?! Antes que alguém pense que estou pleiteando o cargo gostaria de esclarecer que não! A questão reside em denunciar a forma como essa Universidade insiste em funcionar! Em como seus dirigentes ignoram a idéia de que precisam ser eleitos, ser legitimados pela comunidade acadêmica que por sua vez, precisa dialogar com quem está se propondo a um cargo.
Não podemos deixar de questionar o ônus para a vida acadêmica dessas ações discricionárias, visto que não vemos ser postos em pauta os problemas básicos que há décadas está na pauta do movimento docente e discente! No caso do CCH, temos desde a iluminação e vigilância, (estudantes já foram assaltados na porta e dentro do CCH incluindo esta que vos fala), as condições de ensino, pesquisa e extensão, de resto, os problemas do CCH não são diferentes do restante da IEES, no tocante a carência de professores e técnicos administrativos, biblioteca, laboratórios, autonomia, democracia...
Ficamos sabendo de um levantamento que o DRH fez a pedido da SECITECE que há atualmente para efetivação do trabalho acadêmico na UeVA, carência de 195 professores! Ou seja, precisamos lutar por um concurso público que supra 195 vagas docentes! Isto sem falar de técnicos administrativos, e que estas vagas, (de técnicos); vem sendo supridas em parte por nossos “alunos estagiários” que estão trabalhando ao invés de estudando, enquanto assistem suas reivindicações de assistência estudantil, restaurante e residência universitária, caducarem nas “mesas de negociações”.
Também sabemos que o governo do Estado tem se negado a esse debate, afirmando categoricamente que não fará concurso durante seu governo, fechando os olhos à ação de institutos privados que tem atuado dentro da UeVA como “patrões”, contratando técnicos administrativos e professores. Os “colaboradores docentes” (são contratados sem concurso publico, por semestre de aula e por hora de serviço prestado), o que caracteriza a precariedade do trabalho prestado e o descompromisso governamental, não só a nível de Estado, porém, a nível local, da governança da Universidade!
Isto porque não conhecemos ações incisivas por parte dos dirigentes dessa IEES que denunciem esses flagrantes e que proponham mudanças nessa política de sucateamento da Instituição. Daí a necessidade de pormos em dúvida o compromisso ético e político desses candidatos indicados e empossados sem submeter seus nomes e propósitos à comunidade acadêmica!

Maria Antônia Veiga (Professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú).

Texto sugerido por nossa colega historiadora Eliane de Souza

1 comentários:

Marcos Fábio 27 de agosto de 2009 16:02  

Que texto polêmico, eim? O pássaro está voando alto, e o ar esta ficando rarefeito,principalmente pelas bandas do CCH. A MEU VER a prof. Maria Antônia, tem razão,em parte de sua argumentação de fato a situação não é das melhores, ou das mais democráticas, aplausos para sua denuncia e coragem, no entanto vejo como um erro gravíssimo ao historiador a generalização, pois afirmar que: “colaboradores docentes” (são contratados sem concurso publico, por semestre de aula e por hora de serviço prestado), o que caracteriza a precariedade do trabalho prestado". É colocar péssimos prof, como os que só passam filmes,os que fazem os alunos fazerem seu trabalho de pesquisa documental e patrimonial, e os que não aceitam opiniões contrarias a sua, no mesmo patamar que o gigante, BENEDITO GENÉSIO FERREIRA(COLABORADOR),o competentíssimo, e perda irreparável à nosso curso, GLEISON MONTEIRO(COLABORADOR), dos novos talentos como: IGOR MOREIRA(COLABORADOR),entre outros "ilustres esquecidos" pela autora.
Vejo que se estes profissionais são "TEMPORÁRIOS/COLOBORADORES", é por falta de concurso público, fato explicado pela autora, porém creio que o uso de "precariedade", foi feita de modo equivocado. Não sei os companheiros de blog, mas eu creio que algumas colocações da nobre docente se fizeram de forma feliz, porém a iniciativa foi boa....

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