quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Breve Reflexão sobre o Marxismo: o espectro ainda ronda o mundo.


Há poucos filósofos e pensadores tão criticados e perseguidos como Marx, porém há poucos que mantém uma influência tão grande. Criticar o pensamento marxista acaba sendo tarefa fácil, de forma alguma pela sua teoria ser fácil ou ultrapassada, mas por conta de que o capitalismo, o sistema que criticamos e usamos, necessita se reformular, e para isso combina novas fórmulas as antigas, e a que mais tem dado certo é a da crítica do modelo marxista de Estado.

Infelizmente esse modelo acaba sendo confundido com o modelo posto em prática na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) por Vladimir Lênin e, principalmente e repugnantemente, por Joseph Stalin. A falência de tal sistema demonstra fraqueza e talvez um prazo de validade pequeno em relação ao concorrente Capitalismo, acaba sendo o principal argumento burguês, que trata o assunto infelizmente já com dogmatismo.

A teoria que Marx almejava é bem diferente da posta em prática: aconteceu uma revolução do proletariado (ou de uma burguesia esquerdista anti-Czarista) em um país agrário, gigante, porém pobre. Marx previa que isso ocorresse nos países mais desenvolvidos, onde o proletário reunisse as condições de compreender a realidade em que estava inserido e assim pudesse revolucionar o poder e quebrar a dominação burguesa, formando a ditadura do proletariado.

A Experiência Soviética partiu de circunstâncias diferentes das propostas por Marx. A elite política pode aplicar um comunismo com retoques de fascismo, criando uma “aristocracia” que compunha o PC. Vulgarizaram o Marxismo, e talvez prejudicando por incalculáveis gerações a penetração de tal pensamento.

Porém, durante algum tempo, o Marxismo vulgar fez frente ao capitalismo ocidental e ameaçou a estabilidade de muitos Estados. Mas, por que isso se o comunismo é tão inferior segundo os capitalistas?

O capitalismo necessita se renovar constantemente, tem crises quase que cíclicas (como ocorreram no século XIX e exatamente cem anos depois na década de 70 do século XX). É um sistema que se auto-consome, que sobrevive embasado em especulações, em projeções, em explorações que podem acabar sem aviso prévio ou sem a atenção devida mascarada pelo lucro abusivo, deflagrando o colapso que acaba sendo uma coisa necessária.

Através do colapso o Capital se renova, as medidas estatais tomam formas mais emergências e por isso tem uma amplitude maior, vem então um período de recuperação e abundância, que precede outra crise.

Como falei que criticar o Comunismo por motivos equivocados é fácil, também cito que criticar o Capitalismo é uma tarefa muito simples, o sistema está exposto, está doente e radiografado, mas os “médicos” tem o receio de utilizar algum antídoto, de dar o próximo passo na evolução previsto por Marx. Há de se convir que seja mais cômodo para uma pessoa sobreviver através das relações capitalistas do que almejar uma mudança radical que ninguém pode prever realmente como ficará a condição individual.

Acredito que por isso o Marxismo também se renova, acaba então formulando novas diretrizes tentando “superar” o pensamento de Marx e encontrar ou não (dependendo da intenção) uma solução mais branda ou acessível à questão social e econômica atual.

Marx não propôs de forma alguma um modelo fechado, não fundou uma religião (apesar de alguns opositores pregarem que ela exista e assim tentam formar uma “Intifada” contra o comunismo), seu pensamento é embasado no século XIX, carregado pelas transformações sociais da dupla-revolução, mas é bem verdade que suas previsões são totalmente válidas e ainda se mantém, em certa medida, atuais.

O Marxismo então se renova, se modifica, se auto-regenera e infelizmente se corrompe. O maior exemplo já foi citado, a URSS, mas hoje vemos essa degeneração, essa preguiça mental, esse assassinato de Marx no seio dos próprios seguidores que acabam utilizando o seu nome em proveito próprio. Ao invés de utilizarem a práxis ficam apenas com a prática, e uma prática muitas vezes morta, sem sal e aliada do Capitalismo Burguês... Se governar é fazer alianças como Lula diz, então o Marxismo, ou o Comunismo atual, não podem ter hoje um papel tão pequeno.

Hoje o Marxismo é também, como fora antes, bastante intelectual, teve nas últimas décadas grandes representantes, enumera-los é bastante fácil: Hobsbawm, Thompson, Hill (todos importantes historiadores ingleses); Adolfo Sánchez Vázquez, Marilena Chauí, Florestan Fernandes, Jean-Paul Sartre entre outros. Mas e os que se orgulham de se dizer Marxistas nos corredores das Universidades, colégios, fábricas ou em seus textos, e mais raramente, em seus best-sellers? Conseguem unir prática e teoria?

Espero que a resposta seja sim, mas temo pelo pior, que hoje a teoria Marxista esteja se desenvolvendo por dois ramos distintos... Um da intelectualidade, em que ser Marxista acaba acarretando um status reconhecido de inteligência e altivez, formando assim a idéia de que esse “Comunista é inofensivo” e pode então enriquecer (essa é a falência moral do marxismo); o outro é de se auto-intitular um Marxista, um Comunista (mais utilizado), um Socialista, um Revolucionário e não tentar ao menos formar uma teoria de como mudar o meio problemático.

O Marxismo então está em crise também, porém acredito que essa crise seja bem mais saudável do que a crise do Capitalismo. Necessita principalmente de união. É uma crise que tem esperança, que tem condições de ser superada de forma absoluta ou integra. Marxistas (Comunistas, Socialistas, Revolucionários em geral) de todo o mundo, Uni-vos!
Com o olhar de “Historiador” noto que o comprometimento está aumentando, que as massas estão se integrando, em velocidade pequena, mas em um futuro poderemos mudar a economia global e a posição social, se isso virá por uma revolução como propõe Marx ou será de outra forma só o grande professor “Tempo” irá dizer. O que se pode garantir é que o Capitalismo pode até se regenerar rapidamente, mas a massa humana e o nosso planeta não.
O Capitalismo será derrotado pelas suas próprias limitações. O mundo terá que se revolucionar, mais uma vez, isso será uma necessidade. Se for pela óptica Marxista não posso afirmar, mas não seria de forma alguma uma má alternativa...

PS: Leiam, critiquem, se indignem, superem... Por favor, não ignorem e nem assimilem de forma passiva.
 
Texto enviado pelo parceiro James Thiago Braga Teles da Rocha


PS: Fique a vontade, para também enviar seus textos para blog, para trocarmos idéias e confrontar visões e opiniões.
Nosso contato: passarosdeminerva@hotmail.com

7 comentários:

laura_kettila 12 de fevereiro de 2010 22:57  

Concordo quando você diz: "É uma crise que tem esperança, que tem condições de ser superada de forma absoluta ou integra. Marxistas (Comunistas, Socialistas, Revolucionários em geral) de todo o mundo, Uni-vos!"
Afinal, se a união faz a força, juntemos as nossas forças e concretizemos a amenização dessa crise que se descortina em nossa frente!

Anônimo,  12 de fevereiro de 2010 23:16  

Também acho que o capitalismo entrará em crise e será substituido por um outro modelo, mas acredito que deve demorar bastante para chegar esse dia.
Muita coisa deve acontecer, afinal o capitalismo ainda funciona. Enquanto essa formula funcionar, irão sustentar-se nela.

Anônimo,  13 de fevereiro de 2010 17:13  

tah muito bom o texto, exceto por akeles pontos q jah debatemos... o capitalismo é sim maléfico em muitos pontos, mas a sua total extinção não seria a solução ideal

Anônimo,  14 de fevereiro de 2010 08:39  

Não existe solução ideal para esse problema. Existem interesses divergentes!

James 16 de fevereiro de 2010 10:44  

Agradeço por terem lido esse texto que está um pouco longo para um blog como me advertiram meus colegas Edilberto, Marcos Fábio e Fernando.

Fico feliz pelos comentários já postados e pelos que podem vir a ser postados, mostram que a crítica está presente no pensamento de vocês.

Respondendo a dois dos comentários já firmados, faço novas indagações:

Por que a extinção do sistema de exploração de homem por homem não seria o ideal?

Pode ser que não exista solução ideal, mas é ideal que se solucione o problema (ou não)? Superando os interesses egoístas em busca de uma alternativa não só para a melhoria das condições da população, mas também para a sobrevivência do planeta em que vivemos pode se tornar realidade? Por que não?

Edilberto Florencio 18 de fevereiro de 2010 17:29  

Cara parabéns pelo texto. Mostra seu comprometimento e interesse com a História.

Realmente é muito facil falar mal de Marx, dos marxistas, do capitalismo, da história, etc.. Do mesmo modo, é muito fácil simplismente vestir um rótulo de marxista, ou de historiador, sem ligar para a problematização que isso carrega.
Apontar as falhas do capitalismo é "chover no molhado", dificil é propor e compor a mudança.

Mesmo não sendo marxista, tb creio em uma mudança, mas acho que não podemos foca-la e penssa-la somente no plano econômico.
Pois sabemos que a economia é um dos elementos que compõe a história, é um das abordagens possivéis. É o cenário onde os atores sociais encenam, mas suas falas e movimentos se utilizando de outras matizes e outras nuances.

James 18 de fevereiro de 2010 22:53  

Concordo, mas a questão da retirada ou revolução do capitalismo já uma questão de sobrevivência global!

Nunca vi o Inferno, ops, Sobral tão quente...

Temos que arranjar uma solução, pensar na nossa sobrevivencia...

Mas a economia só uma lente em que se observa a foto, não passa disso, mas ganah importância graças a vontade do homem de ganhar e ganhar...

Não é de nenhuma forma uma visão global e perfeita, mas objetiva, talvez por isso seja um bom instrumento de analise, mas de nenhuma forma completa.


Valeu!

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